Hoje escrevo sobre nós, sobre o nosso país, sobre a nossa capacidade para dar a volta a uma situação que há muito a tomam por derrota para Portugal. Escrevo hoje, um dia após o Presidente da República ter aceite o pedido de demissão do Governo e convocado eleições antecipadas para o próximo dia 5 de Junho. Portugal tem vivido um dos seus períodos mais conturbados da história republicana, correndo o sério risco de colocar o seu ideal de soberania em cheque com a hipótese de ser obrigado a recorrer a um pedido de ajuda externa.Em primeiro lugar, lamento os últimos acontecimentos de que o nosso país tem sido personagem principal, sendo a Assembleia da República o palco de muitos deles. É certo que a vida política é cada vez mais criticada pelo cidadão comum, que dia após dia vê o seu poder de compra e o seu bem-estar diminuirem, em alguns casos de uma forma abrupta (basta lembrar o flagelo do desemprego), mas é um facto que desde a antiguidade a Política é a mais nobre forma de serviço público. E aqui está o ponto mais importante - serviço público! Política, ou melhor, ser político, é pôr o melhor de si ao serviço do seu país, da sua região, das suas gentes. Na minha opinião, é isso que tem falhado em Portugal, muito à semelhança do que passa em todo o Mundo, porque apenas representamos uma pequena peça do puzzle. Salvo as devidas excepções (porque no nosso país também existem políticos competentes e com grande sentido de responsabilidade), a verdade é que cada vez mais os indivíduos não se colocam ao serviço da política, mas ingressam nesta área de forma a retirarem dividendos da mesma.
Esta é a grande mudança de paradigma que tem de acontecer em Portugal! Mais do que um pedido de ajuda externa, mais do que uma mudança de Governo ou de cor política, mais do que sucessivos ataques e discursos que não visam uma solução para o país, toda a classe política, sem excepção, deve servir o país sem a intenção camuflada de servir-se a si próprio. Só assim, a meu ver, poderá ser gerado um clima de confiança entre a população e a classe política, que faça com que todos unão esforços no sentido de darmos a volta por cima a esta situação delicada.
É certo que Portugal está inserido no contexto da Zona Euro e que, na medida em que somos um dos Estados mais vulneráveis a uma situação de crise, sejamos afectados pelo efeito dominó que já fez duas vítimas - Grécia e Irlanda - mas a verdade é que toda esta teia de contradições e braços de ferro entre as diferentes ideologias políticas, sem que muitas vezes se discutam os reais problemas do país, acabam por contribuir para um acelerar da crise e levar Portugal a cair numa situação insustentável.
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