José Sócrates afirmou esta noite, em entrevista à RTP que lutará para que o Partido Socialista vença as próximas eleições e que, caso esse cenário se venha a concretizar, tudo fará junto da oposição para que o seu Governo seja de maioria na Assembleia da República. Quando confrontado com as palavras do Presidente da República, que afirmara que Portugal não pode encarar outro cenário senão o da formação de um Governo de maioria, o Primeiro-Ministro demissionário afirmou que esse entendimento cabe aos vários Partidos Políticos e não apenas à vontade do Chefe de Estado. Ultrapassada a discussão acerca da inevitabilidade da demissão por parte do Governo após o chumbo da PEC IV, José Sócrates mostra-se firme nas suas convicções e frisa (a meu ver correctamente) que o chumbo da oposição às medidas do Governo deixaram o país numa situação ainda mais delicada e descredibilizada junto dos mercados internacionais.
Na minha opinião e tendo em linha de conta aquilo que foi a votação do PEC IV na Assembleia da República, o Partido Social Democrata (PSD), dada a sua importância, deveria ter explicitado concretamente (como procedeu a restante oposição) aquilo que discordava naquele conjunto de medidas, bem como, desde essa altura, ter apresentado as suas sugestões para que Portugal seguisse um rumo mais construtivo; no entanto, PSD apenas referiu que não concordava com as medidas apresentadas pelo Governo socialista. Todos estes factores condensados dão a oportunidade para que se inicie (ou melhor, já se ter iniciado) uma troca de acusações com base no chamado "oportunismo político" que certamente tornarão esta campanha eleitoral num ping-pong argumentativo, com vista a retirar dividendos ou então a justificar esse acto, que no meu ponto de vista revelou alguma falta de preparação por parte do PSD.
Assim, espero que o período de campanha eleitoral que se aproxima possa discutir os reais problemas de Portugal e que todos os Partidos Políticos, sem excepção, apresentem as suas ideias e as suas convicções quanto ao caminho que o país deve trilhar.
