segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entrevista a José Sócrates

José Sócrates afirmou esta noite, em entrevista à RTP que lutará para que o Partido Socialista vença as próximas eleições e que, caso esse cenário se venha a concretizar, tudo fará junto da oposição para que o seu Governo seja de maioria na Assembleia da República. Quando confrontado com as palavras do Presidente da República, que afirmara que Portugal não pode encarar outro cenário senão o da formação de um Governo de maioria, o Primeiro-Ministro demissionário afirmou que esse entendimento cabe aos vários Partidos Políticos e não apenas à vontade do Chefe de Estado.

Ultrapassada a discussão acerca da inevitabilidade da demissão por parte do Governo após o chumbo da PEC IV, José Sócrates mostra-se firme nas suas convicções e frisa (a meu ver correctamente) que o chumbo da oposição às medidas do Governo deixaram o país numa situação ainda mais delicada e descredibilizada junto dos mercados internacionais.

Na minha opinião e tendo em linha de conta aquilo que foi a votação do PEC IV na Assembleia da República, o Partido Social Democrata (PSD), dada a sua importância, deveria ter explicitado concretamente (como procedeu a restante oposição) aquilo que discordava naquele conjunto de medidas, bem como, desde essa altura, ter apresentado as suas sugestões para que Portugal seguisse um rumo mais construtivo; no entanto, PSD apenas referiu que não concordava com as medidas apresentadas pelo Governo socialista. Todos estes factores condensados dão a oportunidade para que se inicie (ou melhor, já se ter iniciado) uma troca de acusações com base no chamado "oportunismo político" que certamente tornarão esta campanha eleitoral num ping-pong argumentativo, com vista a retirar dividendos ou então a justificar esse acto, que no meu ponto de vista revelou alguma falta de preparação por parte do PSD.

Assim, espero que o período de campanha eleitoral que se aproxima possa discutir os reais problemas de Portugal e que todos os Partidos Políticos, sem excepção, apresentem as suas ideias e as suas convicções quanto ao caminho que o país deve trilhar.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O "Estado" a que isto chegou!

Hoje escrevo sobre nós, sobre o nosso país, sobre a nossa capacidade para dar a volta a uma situação que há muito a tomam por derrota para Portugal. Escrevo hoje, um dia após o Presidente da República ter aceite o pedido de demissão do Governo e convocado eleições antecipadas para o próximo dia 5 de Junho. Portugal tem vivido um dos seus períodos mais conturbados da história republicana, correndo o sério risco de colocar o seu ideal de soberania em cheque com a hipótese de ser obrigado a recorrer a um pedido de ajuda externa.

Em primeiro lugar, lamento os últimos acontecimentos de que o nosso país tem sido personagem principal, sendo a Assembleia da República o palco de muitos deles. É certo que a vida política é cada vez mais criticada pelo cidadão comum, que dia após dia vê o seu poder de compra e o seu bem-estar diminuirem, em alguns casos de uma forma abrupta (basta lembrar o flagelo do desemprego), mas é um facto que desde a antiguidade a Política é a mais nobre forma de serviço público. E aqui está o ponto mais importante - serviço público! Política, ou melhor, ser político, é pôr o melhor de si ao serviço do seu país, da sua região, das suas gentes. Na minha opinião, é isso que tem falhado em Portugal, muito à semelhança do que passa em todo o Mundo, porque apenas representamos uma pequena peça do puzzle. Salvo as devidas excepções (porque no nosso país também existem políticos competentes e com grande sentido de responsabilidade), a verdade é que cada vez mais os indivíduos não se colocam ao serviço da política, mas ingressam nesta área de forma a retirarem dividendos da mesma.

Esta é a grande mudança de paradigma que tem de acontecer em Portugal! Mais do que um pedido de ajuda externa, mais do que uma mudança de Governo ou de cor política, mais do que sucessivos ataques e discursos que não visam uma solução para o país, toda a classe política, sem excepção, deve servir o país sem a intenção camuflada de servir-se a si próprio. Só assim, a meu ver, poderá ser gerado um clima de confiança entre a população e a classe política, que faça com que todos unão esforços no sentido de darmos a volta por cima a esta situação delicada.

É certo que Portugal está inserido no contexto da Zona Euro e que, na medida em que somos um dos Estados mais vulneráveis a uma situação de crise, sejamos afectados pelo efeito dominó que já fez duas vítimas - Grécia e Irlanda - mas a verdade é que toda esta teia de contradições e braços de ferro entre as diferentes ideologias políticas, sem que muitas vezes se discutam os reais problemas do país, acabam por contribuir para um acelerar da crise e levar Portugal a cair numa situação insustentável.