A situação cada vez mais hostil que se verifica na Líbia trouxe para a atmosfera internacional a discussão acerca da introdução ou não de uma zona de exclusão aérea naquele território, de forma a impedir que as forças leais a Khadafi ataquem por ar as cidades libertadas pela oposição, como o que acontece esta manhã em Marsa el-Brega (conhecida por ser território de uma das mais importantes refinarias petrolíferas do país), assegurando assim a segurança da população. No entanto, esta questão é mais complexa do que à partida possa parecer. Numa primeira abordagem, a introdução de uma zona de exclusão aérea sob decisão da ONU, teria como primeira etapa a neutralização dos meios aéreos do regime líbio. Para que tal se torne possível seria essencial a intervenção da NATO, uma vez que a ONU não dispõe de um exército próprio.
Mas a verdade que a introdução de uma ZEA não traz por si só a segurança à Líbia. Para além de possuirem os meios aéreos mais eficazes, as forças de Khadafi são também detentoras dos meios de combate terrestre mais avançados, em comparação com a oposição em revolta. Assim, no caso de um impedimento em usar o ar como plataforma de combate, o combate terrestre não seria de certeza evitado. Por último, existe sempre a imprevisibilidade do pensamento de Khadafi, que poderia sempre contornar a intervenção conjunta ONU/NATO na Líbia e continuar com os ataques aéreos.
À semelhança do que já afirmei há dias atrás, a situação na Líbia é (muito) diferente do se verifica na Tunísia e no Egipto, sendo cada vez mais certa a hipótese de uma guerra civil neste país africano.
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